Flemish Masters in Portugal
Flemish Masters in Portugal

Flemish Masters in Portugal

20,00 €  
IVA incluído.

Publicação produzida por ocasião da exposição "Double Negative", de Parcifal Neyt com curadoria de Maria João Macedo, realizada no Sismógrafo em Julho e Agosto de 2019. Edição conjunta entre o Sismógrafo, a Dirty Old Dog e a MER Paper Kunsthalle.

 

Double Negative

A dupla negativa ocorre quando duas formas de negação são usadas na mesma frase. Em algumas línguas as duas negativas cancelam-se uma à outra e produzem uma afirmação, noutras, elas afirmam-se mutuamente e enfatizam a negação.

Parcifal Neyt desenvolve um conjunto de peças escultóricas e fotografias que refletem sobre noções de fronteira e de liberdade. Convoca representações de muros, como o de Berlim ou o que está agora a ser construído entre os Estados Unidos e o México, e a hipotética divisão da Bélgica entre a Flandres e a Valónia. Barreiras físicas, políticas ou linguísticas, limites morais ou o fim da vida, histórias de reclusos condenados à morte a quem foi concedida a escolha da sua última ceia.

No centro do espaço do Sismógrafo está a figura de São Sebastião, translúcido e feito de um líquido cristalizado que nos permite ver o seu corpo perfurado em todas as direções, o mártir sereno que se recusa a morrer. As representações religiosas voltam a aparecer-nos na série “Flemish Masters”, em que o artista de nacionalidade belga fotografou pinturas de mestres flamengos existentes em museus portugueses e produziu com elas cartazes impressos a preto sobre papel colorido que afixou depois pelo Porto.

Interessa-lhe a forma como as imagens viajam e se transformam nesse processo: pinturas que foram outrora usadas em trocas entre impérios e estão hoje visitáveis em museus, foram expostas à passagem do tempo e à iconoclastia de quem, na rua, quis de forma mais directa interagir com elas e as grafitou, rasgou ou tentou arrancar. As paredes brancas e as molduras em talha dourada que lhes serviram de fundo, deram lugar a enquadramentos urbanos e degradados.

Parcifal Neyt evoca assim a História da Arte: desde a pintura Flamenga do séc. XVI à abstração dos monocromos, desde a provocação de “Piss Christ” de Andres Serrano, à poesia dos rebuçados de Felix Gonzalez-Torres na série “Untitled (Portrait of Ross)”.

E depois das refeições frugais ou mesmo inconsumadas com que nos deparamos no interior da galeria, encontramos, à saída, uma palmeira morta de sede que se constitui, também ela, como ou uma promessa de imortalidade.

Marca Sismógrafo

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